Quando oiço um economista comparar a economia de um país com
a de uma casa, gostava de lhe poder perguntar se ele/ela acreditava mesmo no
disparate que estava a dizer ou se era mesmo só para parolo (e em Portugal vender
estas banhas da cobra a parolos continua a ser uma boa forma de capitalizar em
alturas eleitorais) acreditar. Senão vejamos: A economia de um país tem activos
e passivos; enquanto a de uma casa e a não ser que o seu proprietário arrende
um quarto ou a casa toda e arranje onde viver, a outra única hipótese de a casa
se tornar geradora de receita é através de uma segunda ou terceira hipoteca e
como tal através de endividamento.
Como tal e em todos os outros casos, o rendimento que entra
numa casa não é gerado pela mesma, mas sim pelos seus ocupantes fora da mesma,
mesmo no caso daqueles que trabalham a partir da dita. Esse processo, a não ser
que estejam a pensar nos subsídios da UE ou nas remessas dos emigrantes, dá pelo
nome de economia! E é nessa dita economia que tem que se jogar com activos e
passivos de forma diferente da da dona de casa e o seu respectivo orçamento
mensal.
Para melhor explicar isto aos pobres que durante anos
estudaram isto e ainda não conseguiram perceber a diferença, vamos lá faze-lo
de forma simplista: existem dois tipos de capital, o macho e o fêmea! O capital
macho é o que entra numa casa. Não se reproduz, nem com inseminação artificial,
enquanto o capital fêmea é o capital que é investido na esperança de se
aumentar o bem-estar do respectivo investidor (exemplos: a pessoa que abre o
seu próprio negocio, que compra acções… Enfim… capital que se espera que se multiplique).
O problema é que com este processo começamos a depreciar o valor do trabalho [quer
em termos substantivos (baixa de salários), como em termos adjectivos
(trabalhar… é bom para o preto!!!) e começamos numa especulação “chico-esperta”
que mais tarde ou mais cedo cai pela base, por assentar apenas numa engenharia social de aparências
(caso do crise do subprime, que ao longo da historia está longe de ser única e que teve como primeiro exemplo a tulipomania
no sec. XVII).
Como tal… deixem de comparar a economia domestica que apenas
consome os recursos que se lhe põem dentro, com a economia de um país que caso
apenas consuma os recursos que lá dentro estão, acabará a falir mesmo muitas
domesticas economias que deixam de ter onde ir buscar o rendimento para lá por dentro!
A esse processo chama-se: desemprego!!! Que parece ser uma insignificância a que
neste momento se dá pouca importância.
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